1,9 milhões ainda é pouco

Arquivo

Hospital Dr Anuar Elias Aesse é mantido por uma associação

 

Nesses 18 anos que estou em Boqueirão já enfrentei muitas críticas ao defender o Hospital Dr. Anuar Elias Aesse. Seja o governo municipal desse ou daquele partido levei e vou continuar levando ao conhecimento da comunidade qualquer “ruído” que possa vir a prejudicar a população. Faço isso porque sei as dificuldades que passam as pessoas que moram em municípios onde não há hospital. E há 15 dias uma notícia dada com exclusividade aqui no portal Clic Boqueirão gerou “alvoroço” na comunidade. Ela dava conta da intenção da administração municipal de reduzir em R$ 170 mil o repasse anual de recursos através de um convênio entre o Município e a casa de saúde.

Diante da informação e de uma entrevista concedida à Rádio Independente pelo diretor do Hospital Dr. Anuar Elias Aesse, a administração municipal reagiu. Segundo o Executivo, foram 1,9 milhões de reais repassados à casa de saúde nos últimos dois anos. A direção do hospital justifica que esse montante não fica integralmente com a instituição que repassa a médicos e outros profissionais prestadores de serviços.

Mas que bom que a atual gestão pode chegar a esse montante. Aliás, acho que ainda é pouco. E explico por que.

Gestão que se dá o luxo de gastar R$ 160 mil no ano de 2018 em assessoria jurídica (dados do Portal da Transparência) pode tranquilamente ajudar o hospital local para que a população tenha assistência médica/hospitalar através de médicos e outros profissionais da área.

Quem se dá o luxo de ver o prefeito da cidade gastar mais de 20 mil reais por ano em diárias (dados do Portal da Transparência) pode sim senhor ajudar o hospital que atua 24 horas, sendo asilo no momento da dor ou até mesmo de um incidente ou acidente imprevisto.

Quem se dá o luxo de manter em um município de pequeno porte 60 cargos em comissão (cc) pode tranquilamente ajudar o hospital da cidade para que a população não precise se dirigir até outros municípios em busca de atendimento hospitalar.

Quem gasta R$ 36 mil (dados de resposta concedida a vereador) para fazer uma “festa de gala” na escolha das soberanas do município igualmente pode ajudar o hospital local, um dos poucos da região que conseguiu se manter pela força de sua gente.

Administração que se dá o luxo de gastar mais de 140 mil reais para recuperar uma escavadeira hidráulica (dados do Portal da Transparência) pode sim senhor ajudar o único hospital da cidade a manter uma casa de saúde de plantão 24 horas por dia, de domingo a domingo.

Gestão que se dá o luxo de manter cinco atendentes na recepção de um posto de saúde municipal, como ocorreu no governo municipal, não pode se queixar e tranquilamente deve ajudar o hospital da sua cidade a acolher gente de toda a região que busca atendimento na ala psiquiátrica.

E assim poderia elencar tantas outras “proezas” da gestão municipal que justificam muito bem ainda ser pouco o montante investido pela administração no hospital local.

E por fim um pergunta: porque o hospital da cidade tem que retroceder nos repasses se o Hospital Bruno Born (HBB) de Lajeado teve seus repasses ampliados em mais de 60%?

Tá na hora de parar de envolver política no hospital e de valorizar quem tem papel fundamental no tratamento da saúde da população.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *