“Pretendo nunca mais passar na 422”

Estudante que teve seu carro avariado por conta de uma pedra que bateu embaixo relata momentos tensos vividos na Estrada da Serra

Fotos: Arquivo pessoal

Jaquelini observa o seu veículo sendo carregado pelo guincho

Airbag acionou após a batida em uma pedra que estava entre dois buracos no meio da estrada

Campanha – ERS 422 pede socorro

 

– Depois de uma curva vi que tinham dois buracos na estrada, tentei desviar, mas entre eles havia uma pedra mais alta. Quando me dei conta o carro já estava parado, com as rodas travadas e o airbag estourado. Na hora deu um estouro muito alto e começou a sair muita fumaça, então eu peguei os documentos e sai do carro com medo que pegasse fogo ou algo do tipo.

Esse é o relato da estudante de psicologia Jaquelini Scartezzini, 20 anos, que passou pela primeira vez na ERS 422 no início de março deste ano. E nunca mais pretende passar. Porque ao desviar de dois buracos com seu automóvel Argo seminovo acabou batendo em uma pedra e ativando o componente de airbag. O prejuízo está orçado em R$ 24 mil.

Jaquelini conta que jamais tinha passado dirigindo na Estrada da Serra, mas naquele dia 4 de março de 2019, após visitar parentes no Centro de Boqueirão do Leão, seguia em direção a Barros Cassal para encurtar caminho. Estava dirigindo. Então, sentiu na pele o abandono da estrada de chão batido de manutenção sob responsabilidade do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer/RS).

Mas segundo a estudante da Puc, não são só os buracos os problemas e deficiências da 422.

– Ao sair do carro vi que ele estava bem no meio da via, e que se viesse outro carro poderia causar outro acidente, pois antes havia a curva. Conseguimos auxílio para empurrar o carro e tirá-lo do meio da via. Quando fui solicitar auxílio eu não sabia dizer nem onde eu estava, além da estrada ruim, cheia de buracos não havia nenhuma placa indicando que local, ou quilômetro era ali.

Jaquelini diz que se soubesse das condições atuais da referida rodovia jamais teria feito esse trajeto.

– Para o trajeto que eu faria, ela (a ERS 422) era o caminho mais curto, mas se soubesse das condições jamais teria feito essa opção. Pretendo nunca mais voltar.

A estudante disse que percebeu naquele dia o descaso das autoridades com a região o se deparar com uma ERS sem sinalização e cheia de buracos.

– É triste ver a ERS-422 daquele jeito e os órgãos responsáveis não tomarem providências. Fiquei imaginando a dificuldade que os moradores da região têm ao transitar cotidianamente pela via.

Quanto aos manifestos programados por uma ação popular visando pressionar o Daer a recuperar a estrada, a opinião de Jaquelini não poderia ser diferente. Ela incentiva e somente não irá participar do manifesto de hoje à tarde porque está distante da região.

– É triste que a população tenha que chegar ao ponto de ir à rua para que as autoridades vejam o descaso. Mas como se faz necessário, é isso que eles estão fazendo. Estão buscando providências, mostrando que o povo tem voz e que é necessário reparos. A ERS deveria facilitar o acesso e não ao contrário como vem acontecendo.

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